terça-feira, 24 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sonho





 Me desfaço em pontos e linhas

[Aquarela, nanquim e detalhe bordado a mão]


 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Frida descobre o teatro de lambe-lambe




                      
           Tudo é possivel dentro de uma caixa de lambe.

           [Guache, nanquim e colagem]


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011








A meu favor tenho o teu olhar

testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.


E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.


Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade

Completas
Manuel Antonio Pina


Poeta português, com aquela sabedoria sobre coisas/sentimentos que só portugueses tem/sentem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

E só



Tu e nós e as sombras que ficam... Engulo em seco enquanto tento encontrar meus pulmões, preocupada demais com esse nó na garganta. Não imagino nada que não exista dentro de mim, assim imagino então que tudo por dentro seja escuro e febril. Não há paz sossego calmaria , há azul por todos os lados, agitado e denso, mais desconhecido, assustadora e sombria em que me vejo sozinha por vontade desse monstro interior que me corrói a cada tentativa de fuga. 


... O desespero é tamanho que me agito quando as ondas me levantam, assustando o pássaro, que ao tentar me puxar, arranha meu rosto e me faz afundar ainda mais. 
O medo, do azul que me cerca, tão escuro e profundo. 
O medo, das garras afiadas e das asas que sussurram derrota.
A procura de uma concha segura, quente e seca. 
Que me aqueça, proteja e afaste os gritos agudos das ondas e do pássaro, me trazendo a calmaria, e me deixando pronta para o próxima naufrágio.




domingo, 6 de novembro de 2011

Anjo metamorfoseado


 


Pequenas linhas que saem em momentos a toa.
 Gosto das figuras quase andróginas, de silhuetas doces e suaves.
Traços que se criam sozinhos, relação pura entre linha e papel. È rabisco que toma forma de desenho e é um desenho que se forma por si mesmo e por si só.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Videodrome




Realidades e imagens prontas que fascinam nosso olhar.
Nos tiram sonhos opacos, nos deixam em troca visões e formas misticas. Sonhos imagéticos carregados de conceitos.  Formas misticas, coloridas, preenchidas de sinais que entram, sem nos darmos conta e povoam nossos sonhos de cenas, ação condesada, tudo envolto em uma camada de brilho e contraste acelerado. Tudo para que a realidade se desfaça, e ao se reconstruir, automaticamente, a partir dessas novas imagens que entraram, os espaços que antes eram vazios, talvez esperando acontecimentos naturais, ou talvez proeminentes de um certo vazio já esperado, simplesmente reconstruidos.
Preenchidos de vida artificial, agora não mais, porque ao absorve-las de forma cirurgica, mas ainda assim natural aos nossos novos olhos passam a ser uma realidade concreta e visionaria.
Pelas veias correm fiaçôes multicoloridas que nos distraem, e pulsam, na velocidade da luz, por entre fiações e forças eletromagnéticas. 
Novas retinas, que não se cansam ou se ofuscam, nem ao menos piscamos porque agora nem os ciscos embaçam nossa tela.
Nos transformamos em personagens de romance, ação, velocidade, bang-bang, jornal das 7h, das 9h, das 23h.
Salivamos com os comerciais de margarina e familias felizes, pão integral e um mundo ecológicamente saudavel, maionese na chapa e elogios sobre a culinaria moderna, ração de cachorro e amores seguros, condominios ofuscantes e uma estabilidade social, carros ultra-motorizados que quebram barreiras, cervejas que nos trazem mulheres, cirurgias que nos dão peitos e mascaras, havaianas que nos fazem ser populares, e sorrisos colgate que dão um mundo melhor.
Seja melhor, reaja melhor, coma melhor, vote melhor, dorma melhor, transe melhor, morra melhor.
Sonhe, muito, sonhe como o que você pode ser se você tiver como ter.
Só é necessario RG, CPF,  registro de nascimento, de trabalho, de casamento, de divórcio, ficha limpa no forúm, cupons, senhas, cartório, carnês, moradia, comprovante de moradia, imposto pago comprovado, comprovantes de registro assinados pelo assinante com assinatura confirmada com registro em cartório.
Acredite em um mundo melhor, na capacidade de raciocionio do homem, na salvação do homem, em proteção ambiental, em seguros de vida, na saúde publica, seu voto faz diferença, seu desejo faz diferença, democracia é igualdade, a lua foi domesticada, em amigos do homem, use gaiolas porque sozinhos não sobrevivem, use remédios por que sua saúde é a nossa prioridade.
Use peitos porque mulheres magras não conquistam homens, morrem sozinhas, a solidão é um perigo, assim como suicidios são casos de saúde publica. A religião salva sua alma, a alma sofre com seus pecados, os sete mandamentos são o caminho do homem.
Derrote a solidão com tv a cabo. Use a internet e conquiste novos amigos.
Demontre suas opinões, o consumidor é quem manda, denuncie abusos, registre maus tratos, quem avisa amigo é. Quem muito quer nada tem.
Sonhadores vão pro inferno porque o céu está lotado.

Absorva sem pensar, nem perca seu tempo questionando o que não tem solução.
Viva e faça o seu melhor.
Produza, muito, porque afinal o trabalho dignifica o homem.
O scrip está pronto, faça o seu papel.

Absorva, veja, sinta, seja...
formigamentos são apenas efeitos colaterais, excesso de sonhos também.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mundo (de) concreto




                                             Cercas aparentes que nos tornam invisiveis.

A eternidade dura só uma noite.

Sobre como é fácil se perder em meio a um emaranhado de cimento, carros e perdas. Você tenta fugir, ou simplismente esquecer e quando se dá conta está se afundando cada vez mais.
Não se trata de auto-compaixão, amor pelo próximo ou muito menos deslumbramento pelo submundo.
È sobre sobrevivência, graças ao ar que continua gratuito (sabe-se lá por quanto tempo), de como o fio que nos une a vida em sociedade é relativamente fraco, fino, e frio.
 A solidão, e ela não veem somente quando nos desgarramos desse barco semi-afundado, ela acentua a dor.
Lindo e poético, escrito com muito cuidado e doçura, o que também só faz acentuar a dor.


O SOL DOS MORIBUNDOS
 LE SOLEIL DES MOURANTS 

Jean-Claude Izzo


Essa edição da Recor tem ilustrações de Flavio Colin

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

As vozes que calo enquanto corro pro mar.
Nada mais favorece o espirito.
Estou seca e sem vida, galho morto jogado ao alcance da tempestade.

Em meio a uma plantação de girassóis eu sou aquele que não resiste a mudanças bruscas de temperatura.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011






Quem muito é nada sente.

Algo acontece, deixando o tempo meio suspenso. Pairando no ar um começo de vontade misturando-se a desejos já antigos.
È um começo meio arte meio ressonâncias de um eu há muito criado agora desejando libertar-se. Não uma palavra liberdade carregada de preenchimentos banais, mas sim uma liberdade de essência. Uma pureza interior que faz ações e reações sairem da mesma forma que se criam.
Coerência não é exigida aqui.
Pelo contrario, no meu mundo interior, que nesse momento transfiro do caderno, exijo de mim mesma a verdade dos sentidos.
O que sinto é real? o que vivo é real? o que me move é real?
Me vejo corrompendo minha liberdade na espera de encontrar uma verdade a espreita. Mas o gosto aspero dos desejos ainda sinto em mim.
Não esperar mais nada que não seja eu.
Que meu externo não me corrompa.
Que as mascaras cotidianas não me façam sofrer mais que o necessario.
Sinto na grosseria das palavras despejadas a esmo a beleza de encontrar-me, ainda que solitaria e perdida dentro de mim. Ser o que estou sentindo livremente em mim.
Nesse momento me amo, assim como amo o sol, os prédios, os seres tão cheios de caminhos já traçados.
A imensidão do universo me confunde, me paralisa e me faz amar estar viva. mesmo que só dentro de mim.
Enquanto sentir, ainda me procuro. O ato de procurar me mantém viva.
O verbo me torna Eu.
Me permito essa sentença quase biblica.

È me permitindo que me movo. È assim que o mundo se move.
Assim me visto do mundo, assim como as coisas de vestem de mundo.